quinta-feira, 9 de agosto de 2012

UM POUCO MAIS DE QUALQUER COISA!


Sobre o sofrimento e a depressão


O sofrimento é o único caminho para a verdadeira felicidade e para o crescimento. Parece contraditório, mas se pensarmos bem, como poderemos distinguir o que é bom do que é ruim se não for pela experiência? A experiência do sofrimento é indicativo de um importante estágio do desenvolvimento do espírito. Há quem se escude em excessos de diversas naturezas para mitigar a dor natural de existir neste mundo - como excessos de diversão, drogas, paixões, bebidas etc - e com isso acabam evitando o que poderia ser o verdadeiro remédio para a dor: o crescimento através do autoconhecimento. Muitos ainda buscam caminhos mais tortuosos, de enganosos efeitos curativos imediatos, como desistir da vida no meio do caminho. A verdadeira vida não é esta experiência ligeira que estamos vivendo. Aqui é apenas a escola onde aprendemos a distinguir por nós mesmos e por oposição o que é a verdadeira felicidade, o verdadeiro amor. Vivemos uma espécie de aflição de espírito quando entramos em depressão. Existem formas naturais de combater a dor, mas às vezes não somos capazes de acessar estas possibilidades - o mundo e a cultura do mundo são muito fortes e nos assediam permanentemente, nos confundindo a mente e o espírito. Optamos pela festa e pela bebedeira,  quando o que queremos, na verdade, é alegria; assumimos paixões desastrosas, quando estamos buscando apenas amor; nos perdemos em atitudes de risco, quando ansiamos apenas por segurança, amparo; nos equivocamos em comportamentos infantis, quando pretendemos apenas ser conseqüentes, maduros, senhores de nossos atos. Em geral, o mundo vende o veneno com rótulo de remédio como receita para curar a dor que nos fustiga - e vende isso caro e com juros altíssimos para as nossas vidas. O mundo não nos deixa enxergar que a solução está em nossas mãos: basta dizer não aos velhos hábitos; resistir bravamente quando a dor nos empurrar para os abismos; acreditar que podemos vencer os momentos dificeis, como quem se esforça para ter bons resultados nas provas escolares. Nas provas da vida a cola é legítima - é quando alguém nos oferece um auxílio, extraído do próprio aprendizado. Existem anjos neste mundo, acredite! Mas eles não vão fazer toda as provas por você. Experimente romper a parede cenográfica da dor. É... a dor é apenas uma fantasia que colocamos na frente do trabalho que temos que realizar por nós mesmos - o que também podemos chamar de preguiça existencial. Rasgue esse pano soturno e tome atitudes baseadas na lógica da realidade visível; faça movimentos como quem remexe a água parada de um lago; sopre fundo como quem quer romper as bordas do lago e transformá-lo em um rio caudaloso que corre para frente e supera as depressões do caminho. É para isso que estamos aqui. Experimente...
Fiquem com Deus.

Amor de Hanna, sempre.


Simples assim...

Meus queridos pouco mais de 10 leitores diários. É... não é pouco não!Este aqui é o único espaço onde me perco, me acho e torno a voltar pra me perder de novo. Na vida não; não é assim. Às vezes me perco, mas nunca duas vezes no mesmo caminho. Sempre me acho, mas não volto sobre caminhos perdidos. O que pode até ser uma contradição com o perdão incondicional que acredito nos sarar da dor. É... a tola Hanna tudo perdoa. Mas fica por aí. Afinal, o ato de perdoar é quase uma confissão de metade da culpa. Culpa nem que seja só por ter estado lá, exposta, disposta, conivente. Por isso perdoo e deixo pra lá. Sigo adiante; torço pela sorte do inimigo; rogo a Deus que o perdoe e ampare. Esta Hanna sonhadora acredita que se há males que vem pra bem, pela lógica então não há males. E sempre descubro o bem que me fez o mal que me causaram. Dialético, não? Este mundo adora causar....rs. É só.  

Com o amor de sempre,

Do amor...Paulo de Tarso

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dosanjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a , de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor."
Amor de Hanna, como de sempre.

É muito punk...


O mundo é punk! Não é coisa pra amador...
Amador. Palavra cheia de ambiguidade. Pode significar o inexperiente, o diletante, o não profissional; ou aquele que muito ama, cujo sinônimo é também o amante. Engraçada essa dupla personalidade, né não? Talvez a explicação esteja na constatação de que todo aquele que ama é, em certo sentido, um "amador" para viver neste mundo heavy. Falo do amor em sentido lato - eita! Essa foi do fundo do currículo lattes... rs. Mas então: há que se serprofissa para suportar a atmosfera pesada dos modos disponíveis de se estar e ser na vida. Sim, disponíveis! Porque você não pode escolher o que não está à disposição nas vitrines dos comportamentos e dos estados mentais culturalmente aprendidos e socialmente exigidos e compartilhados. Digo mentais porque aquele que se puser fora domainstream dos modos de pensar consentidos será encarado, no mínimo, no mínimo, como um amador até por si mesmo; passou daí já estará enquadrado na categoria dos loucos, dos fora da ordem. Se ficar rico, pelo menos vira excêntrico; se ficar famoso, um gênio! Mas quantos de nós, pobres mortais, conseguimos ascender a essas categorias? Seguimos, então, de vara curta, acumulando medos, colecionando fantasias, cultivando complexos, nos esquivando até da própria sombra, se bobear. Tá! Nariz de cera posto, o fato é que minha sempre distraída atenção foi sacudida, nesta manhã, pela conversa lastimosa, ao celular, de um cidadão que sacolejava no mesmo coletivo que esta inconformada Hanna. É, meus parcos, mas imprescindíveis leitores ... ônibus em Brasília é coletivo... coletivo de desrespeito ao ser humano - daí o "inconformada". Mais então: pensava sobre isso ao observar um cidadão sentado pouco à frente - homem alto, forte, guapíssimo... que sofria ao celular em notável descompasso com sua figura masculina. É... quem disse que sofrer por desilusões é coisa de mulher? Foi daí que comecei a pensar nestas bobagens das quais vos falo. Fora da vitrine, somos todos muito frágeis, homens e mulheres. Os sofrimentos nos vem de todos os lados e sentimos de formas muito semelhantes. E muita coisa neste mundo é capaz de nos fazer sofrer, né não? O que nos torna diferentes é a maneira como disfarçamos o que nos contamina os gestos, as atitudes, as maneiras de ser para fora de nós mesmos, para os outros. Não acreditamos que podemos ser amados se formos amoráveis. Mantemos a linha, um estilo. No fundo, no fundo, somos apenas estilosos, para não deixar parecer que somos tão simples e frágeis. E assim vamos nos tornando selecionáveis pelo que oferecemos na vitrine da vida; agregando valores-ilusão ao currículo, trapaceando aqui e ali nos quesitos de aparência; fazendo musculação de resistência; lutando para deixar de ser "amadores" neste jogo em que podemos nos tornar descartáveis. Ixi... ficou piegas essa, né? Mas enfim... o mundo é punk, pessoas! Mas não é motivo para desistir, até porque nesta parada não dá para descer fora do ponto.
É... pelo jeito, voltei!
Desta que muito vos ama, a distraída e boba Hanna.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

UM POUCO DE QUALQUER COISA!


O lide!!!!!!

Ah! Esqueci de dizer... Na postagem nova, aí embaixo, eu pretendia dizer que ao tentarmos nos lançar ao que desejamos, ou quando decidimos tomar decisões para resolver questões fundamentais, que sempre adiamos, é comum gelar de medo, insegurança, como crianças assustadas. Mais ainda quando, depois de vencermos esta primeira etapa, temos que decidir o que fazer da vida! Já pensou em quantas vezes você desistiu no meio de um caminho que estava quase chegando lá? Pois é. Aprendemos a desacreditar de nossas competências, embora tenham sido elas que nos trouxeram até aqui e nos fizeram sobreviver a todos os percalços efetivamente vividos. E isso às vezes resulta em depressão. Uma espécie de "eu quero a minha mãe!!!", figura simbólica da proteção e amparo. Às vezes, apenas simbólica mesmo. Mas a nossa mente desamparada diante da decisão de assumir o comando quer voltar para o colo... a qualquer preço, seja lá que colo for. E adiamos viver, voltando para um playground imaginário, onde alguém está cuidando de "tudo" - tudo o que você adiou, porque, se prestar bem atenção, você continua dando conta de estar no mundo, seja lá como for, porque é uma necessidade sobreviver. Que tal pegar estes instrumentos de navegação e planejar uma viagem para fora dos playgrounds onde andou se escondendo, hein?
Nossa, fiz lá embaixo um nariz de cera tão grande que esqueci do lide...rs.  Mas agora que vc já leu o lide, que tal dar uma passadinha no nariz de cera aí embaixo? Se não gostar do texto, tem Fernando Pessoa e Caetano Veloso para compensar. Vai lá!

O general, o poeta e o cantor...sobre (in)certezas

Acordei pensando...
Noves fora o filtro por onde enxergava a vida, a conta agora fecha. Isso mesmo: a conta está encerrada. Não ter moedas de troco talvez seja lucro - não devo tostão a ninguém. O que me devem, o tempo cobra, mas que a paga vá parar em outras mãos. Nadie puede escapar a la rendición de cuentas. Na vida, a dobra do tempo indica o novo ponto de partida. 

Sim, viver é uma sequência de possibilidades de começo, à disposição de uso quantas vezes vezes forem necessárias, até encontramos as coordenadas exatas -  como as ondas do mar. Parece papo de navegador... e é. Navegar é a metáfora predileta dos poetas para o exercício da vida: "navegar é preciso", diz Fernando Pessoa, "viver não é preciso". Vida é também um processo de reinterpretação, releituras. E aí está o nó de marinheiro: o problema básico do "re" é a incidência e insistência sobre o mesmo; sobre as bases por onde muitas vezes deixamos escorregar as infinitas possibilidades - dentre elas, às vezes, as nossas melhores chances, ou não! 

 A frase a que Fernando Pessoa emprestou fama foi originalmente dita por um general romano, 70 anos antes de Cristo.  Pompeu precisava enfrentar os riscos de singrar os mares, os piratas, rebeliões e guerras para cumprir o destino de Roma - tornar-se uma das mais importantes potências da Antiguidade, um império de dimensões gigantescas. Navegar, então, tinha prioridade sobre a vida. Mais do que levar o trigo para saciar a fome do povo romano, navegar se sobrepunha à vida para garantir o fluxo da história. Os escravos famintos e as ameaças de rebelião foram apenas uma... digamos... forma de organizar as prioridades daquele momento - navigare necesse; vivere non est necesse

Sem prioridades, as possibilidades tornam-se difusas e a vida navega sem bússola em alto mar. Nos versos de Pessoa, a localização do mar no íntimo do ser; no orgulho de ser; na ânsia de posteridade em favor de uma "humanidade" difusa - o sonho de um tripulante da nau de Pompeu, convencido de que a grandeza do sacrifício  garantiria a imortalidade na História. É... não deixa de ser uma priorização, não dos fatos, mas do desejo pessoal de imortalidade. Talvez a "pátria" dos grandes navegadores onde o poeta nasceu jamais tenha aspirado a ser uma grande nação no sentido do poder e da hegenonia entre os povos. Talvez tenha querido ser uma grande nação entre os homens. vai saber...

Mas isso não vem ao caso, porque a viagem de que falamos é mesmo aquela de toda pessoa, assim como a de Pessoa. Então, voltando ao ponto:  navegar não é necessário; é compulsório - não é a viagem que traz a bússola, mas o ser que em geral adere à opção mais comum de se deixar guiar pelas estrelas... quando estrelas há. Não há certezas na vida e nem "precisão"! Se assim fosse, onde a soberania da vontade? O que há é a liberdade de se construir as caravelas, os mares - revoltos ou não! - e até mesmo a bússola que nos vai guiar. E o general? E o general que dá o comando para lançar as velas ao mar, ditando o rumo da história que ainda não viu, para  completar o destino que jamais saberá? É disso que estamos falando: não precisamos de general, porque cada um é a história completa em si mesmo.

Viver é um ato de coragem e requer decisão de se lançar ao mar para atravessar os territórios conhecidos e confortáveis onde a fome, as rebeliões e as guerras pessoais ameaçam destruir a grandeza natural do ser. Navegar é preciso, é exato, é necessário, é desejável; talvez por isso seja compulsório. O que nos faz pensar que há um "general" no comando, incitando-nos ao mar de nossas próprias possibilidades, nem que seja só para escapar da fome, das guerras e rebeliões - mas isso é de uma outra natureza. Onde então nossa coragem?! Navegar só é preciso, porque viver também é preciso! E como queria Pessoa, o importante é criar, ao que esta Hanna atrevida acrescentaria: criar a vida que pretendemos, com a precisão do mestre dos mares. Aí sim, poderemos falar de viver.

Amor de sempre, 
mesmo quando navegando por mares distantes, 
guiada (também) por estrelas.
H.




A letra de Os Argonautas é de Caetano Veloso. Neste vídeo, Caetano lê a carta de Caminha, descrevendo como via a nova terra, hoje Brasil. Abaixo, as letras das duas poesias. Só pra não faltar com a informação...rs.

Navegar é preciso
(Fernando Pessoa -1888/1935)

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso."
Quero para mim o espírito desta frase, transformada 
A forma para a casar com o que eu sou: 
Viver não É necessário; o que é necessário é criar. 
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. 
Só quero torná-la grande, ainda que para isso Tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. 
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso Tenha de a perder como minha. 
Cada vez mais assim penso. 
Cada vez mais ponho Na essência anímica do meu sangue o propósito Impessoal de engrandecer a pátria e contribuir Para a evolução da humanidade. 
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


*******
Os argonautas(Caetano Veloso - 1942/ainda navegando)
O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso...(2x)
O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso (2x)
O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...
Navegar é preciso
Viver não é preciso...

O que mais sofremos...

O que mais sofremos no mundo não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.
Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.
Não é a doença. É o pavor de recebê-la.
Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.
Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.
Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.
Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.
Não é a injúria. É o orgulho ferido.
Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.
Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.
Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflição que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.

Wagner Moura sobre o Pânico na TV

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

"O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

"Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”